Irmão Ferido

Meu irmão é uma grande pessoa. Para os que o conhecem é símbolo de competência, dedicação. Sempre atualizado, top de linha. É uma pessoa técnica e até elitista. Não muito, só o suficiente, como dizem orgulhosos os fãs dele.
Meu irmão entrou em uma dividida e ficou ferido. Está agora meio que impedido de exercer aquilo que para ele, é tão importante quanto seu estilo de vida.
Nunca vi meu irmão assim.
De repente o que importava a ele, está fora de seu alcance. E meu irmão se ressente, de uma forma, que surpreende. Nada que se dê a ele, o conforta. Não olha para o presente, o que está distante, ficou com sua alma, com seu coração.
Falamos a ele, é só trabalho, deixe pra lá, você é jovem, forte, tem muitas opções. Porém, seu coração está lá. E ele, o meu irmão está doente, e está ferindo outros e está ferindo a si mesmo.

Estamos desenvolvendo o Brasil de diversas maneiras. Uma delas é o uso da internet.
Pessoas conscientes e competentes em diversas áreas se unem
e dedicam seu tempo, a sites e cuidam destes sites, como se fossem só seus. Agrupam-se as que estão próximas, que sentem e pensam como elas.
Crescem enquanto trocam e enquanto se doam.
Crescem não só como persona, crescem como indivíduos. E como indivíduos se separam e seguem outros rumos, dadas as novas diferenças, formando assim novos núcleos de desenvolvedores.
E, a dor é grande para ambos, os que ficam com o enorme vazio e os que vão com o que restou.

Restou nada! Ficaram com tudo!
Restou a experiência, restou tudo o que foi vivido, tudo o que foi aprendido.
Gerir a própria existência é dureza.
Ficar frustrado em um local que nos parece inadequado, ou, escolher um recomeço, uma nova tentativa, uma esperança.
Qualquer escolha incorrerá em investimento de energia.
Aprender modos de conviver em um meio, que não nos é mais tão familiar, não tem muito de nossa identidade, ou, começar de novo aplicando nossas crenças e entusiasmo.
Se há ferida, é bom examinar.
“Foi injustiça! Eu dei muito de mim.”

E receber? Você soube receber?
Você interagiu com a comunidade?
Há um tempo em que não queremos mais um pai, um instrutor, um sábio, queremos um amigo.
Desejamos alguém que esteja na cadeira ao lado, olhando para a mesma direção.
Nesse momento, gente de fé, em sua capacidade, está ao seu redor, olhando suas ações. Gente pronta para seguir junto.
O mundo mudou, as referências não são as mesmas, todos terão que se adequar.

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