O que você faria - El Metodo

Eu estava com 28 anos, recebi um convite para participar da seleção de cadidatos a uma vaga administrativa em uma multinacional do meio financeiro. O método de seleção era semelhante ao fictício Grönholm, dinâmica em que 7 pessoas debatem decisões irreversíveis.
A situação
Uma catástrofe nuclear, 7 pessoas no abrigo devem escolher quem será sacrificado. No caso, havia suprimentos e ar para apenas 6 pessoas.
Eu, na dinâmica, era uma arquiteta e presidente de um banco de projeção internacional. Ficariam pessoas essenciais à reconstrução do planeta. Cada um deveria convencer o grupo de que era essencial e assim manter-se vivo.
Estratégia
Para minha surpresa todos resolveram que eu “não” deveria morrer, sem que eu abrisse a boca.
Pasma, perguntei: - Que os fez tomar essa decisão?
A resposta foi de cair o queixo…
“A questão é essencial. Não sabemos quantas ou se sobreviveram mulheres e, em que condições elas estão. Você é a reprodutora da espécie. Você vive!”
Continuaram como se eu não mais estivesse ali. E realmente não estava, me senti jogada ao espaço direto e sem escala.
Marginalizada, colocada na posição de reprodutora? O segundo passo deles, qual seria?
Reação
Não havia como discutir o fato de eu ser mulher. Mas, sou mulher e não discutir, não falar, é algo pra mim mais inadimissível do que o que aqueles caras estavam planejando para mim.
Havia na dinâmica um artista e um padre. Decidiram em 5 segundos restingir a discussão entre qual dos dois iríamos matar. Um por ter voto de castidade, o outro por ser artista, afinal artista não tem muita serventia em um mundo assim. O cara só ia dar trabalho.
- Pode?
Claro que pode.
A questão é que eu não pretendia de maneira alguma arriscar perder as duas pessoas certamente dotadas de alguma sensibilidade, algo essencial para que eu quisesse viver. Entrei na briga.
O padre abriu mão da castidade e se defendeu com unhas e dentes. Eu defendia o artista com toda a minha garra, afinal para mim o padre era um traidor. No caso de ele viver, esperava que tivesse cruzado os dedos antes de dizer o que disse. Por fim era tanta garra na discussão que o tempo chegava ao fim. E o artista já se considerava morto.
Votamos.
Os finalistas: eu e o padre.
Hoje estava lendo a Zero Hora - Empregos e Oportunidades, meio atrasada eu sei, estava lá em destaque “Seleção bicho-papão” - Filme em cartaz na Capital abre debate sobre limites nos processos de recrutamento para emprego.
Quem estiver procurando um emprego, veja esse filme, atualmente é o método utilizado para recrutar pessoas para cargos de liderança.
Foto: Artfilms, divulgação
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Este nome é fictício. Não existe qualquer método de selção chamado “Grönholm”. Tal método foi inventado, a partir de vários modelos de seleção de pessoal e dinâmicas degrupo (como a que citaste), pelo dramaturgo Jordi Galcéran, para a sua peça de teatro, de mesmo nome.
Rodrigues, grata pela colaboração. Já fiz a correção > “O método de seleção era semelhante ao fictício Grönholm, dinâmica em que 7 pessoas debatem decisões irreversíveis.”
Não há de quê!