Aceitar-se: A análise da lista

Ônibus pra faculdade, tempo sem interferências, eu em meu canto, pra você o banco do busão, para mim, a tranqüila posição da música de Caetano: “Terra… apareces inteira”.
Vou organizar aquela lista.
Ah… pretensiosa. Droga, não estou conseguindo me achar.
Vou ver o sentido no dicionário. Não trouxe, merreca.
Ah, o manicômio que se dane.
Deixa ver o que sei sobre essa palavra: pretende – ser – ciosa, bah…não dá.
Deixa eu lembrar quando ouvi, com que entonação, quem disse?
Aham… aquela mal-intencionada, estilo unhas-espetinhos, sempre alfinetando alguém. Estava entre irônica e travessa, parecia ter programado tudo para ter essa chance. Me pegar de surpresa pra doer… ou, talvez para eu não rebater.
Não sei… Como alguém gasta seu tempo assim, preparando uma armadilha especial, e parecia só para mim.
Agora, fui esnobe. É… porcaria, posso estar sendo pretensiosa.
Todas as pessoas que se envolvem muito com aparência, me parecem ser, por dentro, um lixo. Balanço a cabeça com desdém.
Praga, olha eu aí… julgamento e superficialidade. Coisa que odeio que façam comigo. Bah, difícil manter-se a regra.
Estou de mal-humor agora. Tri-afim de julgar todo mundo, pegar umas faquinhas (não as shuriken, as outras) e prega-los esticados na parede, secando ao sol.
Mau-humor, mau-humor. Ah, eu parecia tão perfeita, agora… Pretensão… XD
Essa lista vai dar trabalho.
Só me falta ter que agradecer aquela lambisgóia.
Nossa! Julgamento, xingação e muito afim de nome feio.
Ah… a minha mãe por perto! Eu iria sentir o gosto da pimenta!
Tô pensando no prazer que ela teve em me dizer o que disse. Parecia uma grande vitória. O engraçado é que ela usou seu tempo de fofa e linda para planejar isso tudo. Acho que 2 ou 3 pessoas atentaram para aquilo, contando comigo. A flecha era só para mim, acho.
Agora percebo que quem estava a meu lado percebeu, e o marido também. Diacho, ela poderia ter feito um circo com isso e não fez.
Agora… que gastou tempo elaborando dava pra perceber.
Empaquei! Nem pra frente e nem pra trás.
Uma vez, alguém falou algo sobre ser grata: “Agradecer o que se recebe”, agora eu poderia preparar uma e agradecer o tempo que aquela praga gastou para me espetar. Eu a ignorei pelo resto da festa, não lhe dirigi um olhar por todo o tempo. Determinei invisível. Não a vejo, não a ouço, com naturalidade.
“Persona não grata.”
Uhmmm, o marido desapareceu em certo momento, ela também, vai ver a peste sujou o vestido, fofa que é fofa entra em conflito se pratica algum deslize. Ai, ai, ai, estou peçonhenta.
Ooopa, de repente estou fora da “janela” de novo, credo, nem percebi que estava dentro. Xiiii, não acredito em mim. Ando imaginando coisas, parece que vi um filme. Eu a feri, alguma coisa me dá essa certeza e nem me dei conta. Ela adora receber em sua residência. Quer tudo perfeito. Arruma tudo, quer que todos se sintam confortáveis. Fica faceira se percebe que sentem prazer. Todos a tratam com respeito e delicadeza. É daquelas que preparam algo especialmente para agradar aqueles a quem recebe. Resplandece com elogios e a satisfação de seus convidados.
Acréscimos em minha lista, fria, congelante. Não, vou riscar.
Insensível é mais correto.
Essa agora… Putz, me desculpo ou acrescento inconseqüente?
A parada que é bom, não chega nunca, que tranqueira!!!
Não vai ser fácil. Dizer errei e nem sei quando errei… Vou ofendê-la ainda mais. Melhor agradecer e reconhecer que ao refletir reconheci que preciso trabalhar esse aspecto de minha personalidade. E devo acentuar que percebi todo o empenho, o cuidado que teve para não me envergonhar diante dos demais.
Finalmente, a bendita parada chegou.
T+

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