Homens em 2005 — Absurdos veiculados como norma geral

Um programa que eu gosto, de entrevistas, apresenta duas pessoas, colocando suas brilhantes opiniões sobre como conquistar e manter “seu homem”. Segundo elas, baseadas em pesquisas, e os resultados revelados através de cálculos estatísticos, diz que: o homem está cansado de mulheres cabeça.

A mulher inteligente observa, analisa e avalia o homem para decidir se vale a pena se relacionar com ele
“Assim fica difícil”, diz uma delas, “vejam as estatísticas, 46 mulheres para cada homem”. “A pesquisa revela que o homem quer de novo aquela mulher inocente, que vai para o relacionamento confiante, desarmada. Uma mulher que seja mulher, que observe a decoração do restaurante, a não prevenida, que goste de romance.” E continuou com declarações que bem podem ser traduzidas como: “— Homens eu sorrio fácil! — Homens, se for bom pra vocês está bom pra mim! — Homens eu fico de joelhos, eu fico de quatro!”

Sei que são pesquisadoras, mesmo assim estou irracional e quero atacá-las. As duas falando com uma frieza natural e equilibrada, elogiosa, não fosse o assunto assombrosamente insultante. Suas aparências modelo de mulher que qualquer uma de nós quer matar. Podem ser facilmente reconhecidas, morando em uma casa modelo, cheias de cuidados, sempre dispostas, arrumadas e prontas para servir (minha cabeça ferve).

Mas que inferno. Será que nós mulheres latinas teremos sempre essas criaturas ditando regras para uma vida antinatural e servil?
Se os homens querem uma mulher que não lhes dê trabalho, só lhes sirvam, dirijam-se ao prostíbulo mais próximo. “Mulheres já podem abandonar suas inteligências, os homens se cansaram, não representem mais esse papel, vamos atrizes, há 46 obstáculos a serem vencidos para termos uma noite de sexo com um debilóide que só não irá brochar, se for paparicado. Finjam não ver suas fraquezas e suas burrices, pensem em um bonitão. Esqueçam que ele não é interessante, que seu toque passa a impressão de ser um merda. Amanhã, a gente chora a tristeza de ter aceito fazer parte desse teatro triste. Amanhã, a gente chora e, se ainda sobrou (apesar de tanta análise) burrice em nós, poderemos nos culpar da relação não ter sido o que esperávamos. Poderemos pensar, eu não sou boa de cama o suficiente, não sou bonita o suficiente, sou uma bosta só consigo atrair bosta. O que é isso?

Nossas avós, nossas mães lutaram como lobas, carregaram o mundo nas costas. Deixaram claro para nós: o desejo não é tudo. Tudo o que o desejo dá, pode custar uma vida de infelicidades. Conquistamos o direito de estarmos próximas e autorizadas a utilizar um banco de conhecimento. Usar nossas mentes foi conquista. Trabalho. Luta. Resistência. Se esses machos baratos não aguentam uma boa fêmea, que se ferrem.

Uma mulher “não latina” existe e se torna cada vez mais ela
Linda, divina, quase uma deusa. Para chegarmos a isso, nós as mulheres latinas, precisamos nos estender, descobrir nosso tamanho, nossas capacidades e expressá-las. Existir em plenitude. Sermos cada vez mais autênticas. Expressar toda a potência que Deus nos deu. A autoconfiança de quem tem direito ao espaço que ocupa. Abdique da timidez, ela é uma armadilha, tem seu charme mas convence apenas se for verdadeira. Não devemos nos esconder.

É preciso aprender a usar algo que os homens usam e abusam quando criticados
Observem! Eles assumem uma postura entre sensual e sarcástica e questionam dando mais um passo em nossa direção: “Que mais você observou em mim?”

Nós quando criticadas deveríamos usar a mesma postura. Quem possui peito (e aí realmente cabe um bom peito), coragem de existir, ultrapassa as barreiras que a sociedade coloca para desavisados. Torne-se alguém em destaque, muito além das 46 pobres e mal informadas criaturas, citadas na pesquisa em questão. Alguém que gente especial corre atrás.

Não dá, nos dias de hoje, para acreditar que o homem tenha se tornado tão estúpido a ponto de querer dividir sua vida com uma debilóide, estamos falando de “Homens”, não?

A mulher, por sua vez, não quer o papel escroto de examinar uma presa, estudar uma estratégia, montar uma armadilha, para no final fisgar um fedorento gambá.

O que está havendo?
Se nós mulheres latinas voltarmos a desfilar pela vida como atrizes, seremos culpadas de eternizar esse modelo de homem babão, idiotizado, que só chega a altura da genitália de uma fêmea. Não teremos homens fortes, sólidos, em pé. Nossos homens latinos, nunca assumirão seu “eu” verdadeiro. Estaremos nos condenando a viver sem conhecer a nobreza de um Ser masculino manifestado, chacras alinhados aos nossos, a experiência maravilhosa do Amor.

L’Amour, aquilo que queremos, que procuramos…
Se precisarmos voltar atrás para ter um homem na cama, voltemos no tempo, seguindo um exemplo masculino: atraia a vítima usando uma isca que todo o animal desse tipo segue; quando se aproximar do que quer, acerte-lhe a cabeça; arraste, amarre bem; você poderá usar o bicho, da forma como éramos usadas antigamente. É garantido acordar no outro dia com a disposição de um predador, feliz, satisfeito.

Um homem está à procura de uma mulher, não de uma atriz e principalmente não de uma desprovida de cérebro. A mulher traz em seu interior a sensualidade, os movimento e os hábitos quase felinos. O cérebro, a inteligência precisa ir em busca do conhecimento de si. E isso sim, é um belo encontro.

O que mulheres magras ou não, têm para fazer sucesso é uma aura que sugere autoconfiança, fé em si e principalmente, capacidade para virar fera em defesa dessa fé. Enfrentamos dificuldades, pois a vida é difícil. Seguir em frente nos leva a adquirir e desenvolver as qualidades de mulheres exemplares. Mulheres, que homens se aproximam e não se afastam jamais.

Dúvidas?
Seguir em frente, buscar respostas para cada incerteza, é encontrar a si mesma no devido tempo. O que há entre um homem e uma mulher é tão grandioso que impossibilita compilar, sem um processador bem capacitado. Estamos perdidos, misturados, porém, quando nos encontramos, nos reconhecemos. Não há nada, que possa impedir a aproximação de dois seres feitos um para o outro. É magnético.

O fato de representarmos o que não somos pode por fim, enganar o que divinamente se projetou. Homens e Mulheres são seres especiais criados no capricho. Somos pessoas, não somos bonecos. Um louco inventa uma moda ridícula e todos a seguem, sou excluída se não o seguir. Bem, já é de conhecimento geral, que a unanimidade não é necessariamente inteligente. Há pessoas que apenas seguem, abdicam de pensar. Diferenciar-se leva ao topo e é lá que se vence 46 ou mais.

Honremos nossas antepassadas, nada de voltar atrás. No devido tempo a gente vira história também.

Autores sobre a Formação da Mulher
> Eça de Queirós: Escritor do século XIX
Em bom português, alertou, mostrando uma sociedade que nutre de ilusões aos descuidados e assim eterniza-se no poder.

> Marisa Lajolo & Regina Zilberman:
— A Formação da Leitura no Brasil
— A Leitora no Banco dos Réus

> Maria Lúcia Rocha-Coutinho:
— Tecendo por Trás dos Panos
— A Mulher Brasileira nas Relações
Sobre interesses políticos e o confinamento da mulher no lar.

> Clarissa Pinkola Estés:
— Mulheres que Correm com os Lobos: Mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem.
As armadilhas no caminho do desenvolvimento feminino, como reconhecê-las.

Texto escrito:Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

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