Um bom encontro é a dois

É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte!

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará  Continue lendo

O que está errado?

Há uma percepção estranha de incompreensão no ar. Sabe como é? Daquelas em que a pessoa está a sua frente e enquanto você fala sacode a cabeça em sinal de não?! Interessante é que não ouve você, e nem pensa em fazê-lo. A gente pensa: O que é isso? Semelhante a, estou com a cara suja, feijão no dente, algo assim, mas pior. A impressão que se tem é que aquela pessoa o procurou com uma expectativa que você não alcança, não consegue entender.

Coloco o melhor de mim sempre que estou com alguém, essas coisas recebi de berço, a atenção que se recebe é sagrada. O que está havendo?

Fiquei com essa pergunta martelando o meu cérebro por um bom tempo e infelizmente foi preciso uma “bordoada de Deus” para me tocar. 

Na hora da bordoada fico meio que em suspenso, mas tudo que sobe, desce… Já ao solo, minha atenção é total á questão. Penso que, se preciso ser sacudida é importante e merece reflexão.

Ajustar a lente para ver como a pessoa está vendo, o que quer, fica às vezes complicado. É possível que ela mesma não saiba o que quer. Caída “a ficha”, vem à surpresa. Estupefata, percebo o mundo a minha volta se ajustar ao novo foco, quase como uma adaptação a uma realidade inimaginável. Que dureza! Sem a bordoada, jamais eu entenderia o que esperava de mim.

Ainda não sei o porquê, mas fui eleita como “a platéia” predileta. Devo confessar que a surpresa me elevou a 5000 pés de altura. Após o susto dessa revelação, percebi ser uma honra a pessoa desejar partilhar suas realizações comigo, uma consideração, uma distinção.

A uma pessoa comunitária como eu, que passou a vida fazendo o possível para partilhar funções, aproximar pessoas, aprofundar relações, dirije o olhar a todas as relações sem hierarquias, um olhar multifuncional. Jamais me imagino como platéia.
Novos papéis… Não garanto a adaptação.