Homenagem a um sonhador e seus sonhos realizáveis

O termo poesia, como se compreende hoje, refere-se a “poesia lírica A expressão “lírica” é utilizada aos poemas que buscam uma síntese expressiva, efeitos sugestivos de musicalidade, A Liraregularidade rítmica, antigamente, apresentados com o acompanhamento de um instrumento musical, no geral, a lira. Hoje lemos ou ouvimos versos e imaginamos música e imagem, talvez, por conter em cada poeta algo eterno, que viaja a um tempo onde literalmente existia de fato o termo “Eu e minha amada”; onde abrir a alma não nos envergonhava; onde não temíamos os grandes espaços, aliás, precisávamos deles, para o que compreendíamos como um lugar para viver.

O Poeta do povo e da mocidade faria 94 anos hoje se estivesse vivo J. G. de Araújo Jorge, o único poeta brasileiro que em 1969 já vendera mais de um milhão de livros. Talvez o poeta menos divulgado de todos, o que não diminui em nada suas criações, que são obras excelentes. Esse sucesso de vendas deve-se a divulgação de seus leitores, que recebiam suas obras das mãos de vendedores tradicionais, os mesmos que nos entregavam a Enciclopédia Britânica e Barsa.

Sua irrefreável vocação política pode ter sido o motivo do pouco espaço na mídia oficial. Como um orador eloqüente, conquistava a todos. Alguns críticos, ainda, o consideram “um sujeito que se esparramava em emoções”. De qualquer maneira, encontramos poucos registros oficiais. Professor de História e Literatura, Deputado Federal com três mandatos pelo Estado da Guanabara, vice-líder do MDB e Presidente da Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados, era conhecido oficialmente por sua mensagem social e política, e entre os jovens por sua obra lírica.

Como um bom lírico J. G. de Araújo Jorge falava comigo diretamente. Contava como se sentia. Conversa de amigos íntimos, mostrava seus sentimentos, lavava a alma em minha casa, na intimidade de meu lar. E, perceba, não havia filme, foto ou imagem, apenas símbolos impressos em papel. Não importa onde ele estivesse, materializava-se ali, na minha frente. Poucos homens nos anos 60 e 70 existiriam frente a uma mulher, menos ainda por escrito, afinal, o escrito é documental, falará da pessoa para sempre.

É assim, que conhecemos J. G., é assim que ele se mantém vivo em nossas memórias. Sem registros oficiais.

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