Viver Juntos

Um documentário que vi sobre mulheres, em uma prisão dos EUA, ficou ecoando e perturbando meus sentidos. É um assunto que evito, mas desta vez…

A maior punição para essas detentas é ficarem em uma cela, sozinhas. Sem contato com outras prisioneiras. Chegam a ficar isoladas por quase dois meses, se entendi bem. Não podem sair ao sol com as outras, não participam da alimentação coletiva. Passado algum tempo, elas sonham em co-habitar, conviver com uma colega de cárcere.

Acontece que essas mulheres são tão violentas que logo tentam impor-se umas as outras. “Quem manda no pedaço” é o começo de novos atritos.

A divisão de espaço, viver em comunidade, usar locais de forma comunitária é, para as pessoas violentas, uma verdadeira provação. Quando observadas essas posturas irracionais, percebe-se que as características que concebemos como humanas estão em alguma parte daquela estrutura, mas ocultas. Onde buscá-las?

Viajo de volta na imaginação para os chamados lares
O que percebo não é diferente desses presídios. Só que não há um guarda forte e armado para fazer respeitar as regras de sociabilidade. Aliás, regras! Quais regras?

Não respeitam vizinhos, filhos (as), parceiros (as), e muitas vezes se permitem tal violência que explulsam as pessoas de sua intimidade. Vivem sós.

Pouco, muito pouco nos diferencia da irracionalidade, da animalidade. Essa capacidade que faz diferença, chama-se “domínio das emoções”, das mais primitivas ao menos.

Compartilhar espaços nos torna pessoas mais conscientes de nossa flexibilidade, de nossa composição fluídica. Grande parte de nossa constituição é líquida e a consciência disso levará a sábias atitudes de temperança.

Para momentos de fúria nada como o espelho para refletir
Isso sou eu?
É o que fazem os guardas nessa prisão. Colocam parceiras com equivalências na mesma cela. Supõe-se, que aprendem assim, sobre limites, com um risco mais ou menos controlado.

A detenta que estava sendo acompanhada no documentário, antes de voltar para a cela individual disse para as câmeras: Eu ainda não estou pronta, pensei que estava, mas ainda não consigo aceitar uma convivência, uma proximidade assim.

Pensei na forma como ela lidava com seus sentimentos, provocativa, desfazendo nas outras, sendo leviana nas provocações, encarando todos os desafios, ou aparentes desafios, de acordo com seu senso desajustado de valores. A resolução dos desentendimentos entre elas, acredite, se não houver interferência termina em fatalidade.

Os espaços públicos são as portas dos cárceres abertos. Como vamos utilizá-los diz o quanto, de mais ou de menos, temos de primitivos e de aculturados.

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