Cabelos ao vento

O grito que não dei é pura amargura, preso a minha garganta, ainda hoje.
Meu amor saindo fácil… Com o ritmo dolorosamente lento… eterno.
Como em toda a despedida. Um leve aceno dizem, e adeus, não foi mais que isso…

Cabelos ao vento, do alto da montanha, a imagem da partida se repete.
A dor roe minhas entranhas, quase sem ruído.
Agi correto, segundo minha auto-estima,
não adiantaria mesmo…

Tudo está certo, então por que não há consolo?
Um nó me impede a passagem do ar. Por que essa amargura?
Por que congelo ao recordar que te perdi?

Não gritei o amor que sentia…
Não eternizei no espaço o pesar de ver-te ir!
Hoje, o poeta precisa vir em meu auxilio para esvair
a dor que me condena, ou… o não sentir eterno.

Coração feito pedra, pesado, ardendo.
Não quero mais emoções, reles símbolos de dor.
Sem amor. Sem afastamentos. Sem nós congelantes outra vez …

Por que sinto tanto o grito calado, se nada teria mudado?
Teimo com a razão, com a lucidez e a culpo.
Queria gritar todo o meu amor, toda a minha dor, ali na separação.
Se nada sobrasse, nem auto-estima, a dor também se teria esvaziado?

Oh, insanidade! Good bye, my love good bye!
Poeta! Preciso de todas as suas palavras torneando
cada vicissitude, cada sensação estonteante, amarga, envenenada.

Grite por mim, poeta!
Virei nada, sumi tal qual barro sem o sopro do criador.
Seu grito é capaz de atingir a freqüência das lembranças,
do tempo em que eu confiava na transcendência das vibrações do coração!