Mulher – Um resgate íntimo

A mulher nasce com seus valores geneticamente femininos e a educação à faz absorver os valores determinados pela sociedade patriarcal.Paulo Mendonça

Dr. Paulo Mendonça, natural de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, é Médico Neurologista, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense em 1978 e titulado em neurologia pela Academia Brasileira de Neurologia, filiada brasileira da Federação Mundial de Neurologia. É Membro Titular dessa academia. É pós-graduado em Medicina do Trabalho pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e em Desenvolvimento de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas.

O livro, Mulher um resgate íntimo, aborda uma das principais causas dos sofrimentos psicológicos e conflitos imotivados que acometem as mulheres. Fácil de entender a mulher nasce com seus valores geneticamente femininos e a educação à faz absorver os valores determinados pela sociedade patriarcal. O livro busca, sob uma forma emocionalmente envolvente, o resgate desses valores desaparecidos ainda na infância. O autor utiliza três linguagens – um conto, informações e poemas – , estrategicamente colocados, para que o enredo seja desenvolvido na mente da leitora. A partir do meio da obra, a mulher ‘selvagem’, inquestionavelmente forte, começa aflorar no cerne da alma da leitora, aproximando-a da plenitude feminina, capaz de afastar muitos fantasmas utilizando a sua própria verdade frente às ‘verdades’ que lhe foram impostas por essa sociedade.

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Preconceito, Marginalização e Criminalidade

Ariane Melo, a autora desse texto, é uma jovem escritora e participante do fórum e do blog Meia Palavra. Seu livro Banshee – Os Guardiões, cujo o gênero é fantasia, apresenta em suas páginas as tramas do preconceito. Acompanhe o lançamento de seu livro e suas produções nos links aqui destacados.

O preconceito é um tema muito presente em Banshee – Os Guardiões, muitos personagens (quando vocês lerem o livro saberão quais) sofrem com atitudes preconceituosas. E quantas pessoas não vivem isso todos os dias?

Ser diferente dos outros sempre foi um motivo para ser deixado de lado; poucos conseguem aceitar essas diferenças e fazer disso uma coisa boa. Um caso de preconceito com o fim trágico é a marginalização. Vítimas do preconceito são freqüentemente marginalizadas, pois pessoas que não se “encaixam” nos padrões impostos pela sociedade não recebem atenção e isso, muitas vezes, leva à criminalidade. É claro que nem todos os criminosos sofreram com atitudes preconceituosas e nem todas a vítimas de preconceito tornaram-se assassinos, mas não dá para negar uma conexão entre as duas coisas.

Eu me lembro da reportagem “Falcão – Meninos do Tráfico” da Rede Globo sobre as crianças nas favelas cariocas. Acho que foi uma das coisas mais chocantes que eu já vi na vida. Aqueles garotos sabem mexer em armas das quais eu nem mesmo sei o nome. O Brasil inteiro ficou apavorado, foi uma polêmica enorme… Pau no governo, no sistema e por aí vai. Mas, espera aí! Eu tenho uma pergunta: será que todas essas pessoas que criticaram Deus e o mundo, que culparam a presidência e o senado, aceitariam um menino pobre do Morro do Alemão na mesma sala de aula que a sua filhinha de família nobre? Eu acho que não! É muito fácil sair “atirando farpas” nas autoridades (que têm sim muita culpa no cartório) e acabar “abafando” a própria culpa.

O medo de que este menino, possivelmente, pudesse tentar alguma coisa ruim contra a criança rica (ou de classe média) já é um preconceito. O fato é que a maioria das pessoas nem sequer daria uma chance à essas crianças. Elas já são marginalizadas pelo endereço onde vivem, pela cor da pele e pela família (o pai prisioneiro talvez). Eles não têm a oportunidade de se mostrarem melhores que isso tudo. O preconceito é um vírus mortal, e o pior, ele é hereditário. Pense nisso.

Há caminhos para você

Vá garoto, vá.
Eu o ensinei, mais não consegui. Mas, talvez, não deva aprender tudo o que eu aprendi, nem ser ensinado em tudo por mim.

Vá garoto, vá.
Eu confio em você, vá fazer o melhor que há em cada idade.
Vá filho, dê seus passos e eu irei aplaudir. É um mandado da vida, confiar que o garoto seguirá o caminho sem o guia em que mais confia.
Caso, o mundo lá fora não parecer tão bom quanto ao que conhecia, é o pouco contato com seus funcionamentos que não o beneficia. As pessoas deixam-se conhecer, aguarde o tempo preciso, para que assim não se sintam ameaçadas.

A fé que eu tenho no mundo e na vida empresto ao universo e este haverá de reparti-la com você, só o quanto for preciso, para que exercites a sua própria. Não demais, apenas o suficiente para que não se sinta desamparado.

Vá garoto, vá.
A vida é bela e divertida. A vida é música, é dança, ajuste-a ao ritmo que lhe agrade, vá filho. Quero que você chegue a ser antigo e cheio de charme, com muitas palavras lindas para os demais, contando sua vida como uma deliciosa prosa, movendo-se com a sutileza conquistada no exercício dos músculos em todas a sua extensão, gerando a harmonia que impulsionou suas possibilidades.

Quero que você viva, filho! É só quando se vive, que a vida é vibração e prazer. Não permita que algumas experiências determinem todas as crenças de sua existência. Não permita que algumas expressões do dia-a-dia ocultem a magia maravilhosa que é viver e experimentar os passos escolhidos para a grande dança do universo.
Use sua vida como os astros do céu, com a certeza de que sua magnitude atrai o que há de melhor e, caso, atrair o que ainda não se aperfeiçoou, creia, é um possível candidato a perfeição.

Vá garoto, vá.
Abençôo todo o caminho que escolher e prometo confiar em você e em suas escolhas, como a sabedoria o abençoa através dos céus, como todo o bem nascido e filho do amor, predestinado a encontrar o melhor em toda a extensão de sua caminhada.

O bolero de Isabel

É um nó dado por São Pedro
Desarrochado por São Cosme e Damião
É u’a paixão, é a sensação de um repente
Igual ao quente do miolo do vulcão.

Quer ver o bom, é o aguado quando leva açúcar
É ter a cuca açucarada num beijo roubado
É o pecado confessado ao Mestre Sereno
Levar sereno num terreiro bem enluarado
É o pinicado do chuvisco no chão pinicando
Ficar bestando c’um inverno bem arrelampado
É o recado da cabocla um beijo mandando
Tá namorando a cabocla do recado.

Quer ver desejo, é o desejo tando desejando
E a lua olhando este amor na brecha do telhado
É o rodeado do peru peruando a perua
É a canarinha galeguinha cantando o canário
Zé do Rosário bolerando com Dona Isabel
Dona Isabel bolerando com Zé do Rosário
Imaginário de paixão voraz e proibida
Escapulida, proibida pro imaginário.

Quer ver cenário é o vermelho da auroridade
É a claridade amarelada do amanhecer
É ver correr o aguaceiro pelo rio abaixo
É ver o cacho de banana amadurecer
Anoitecer vendo o gelo do branco da lua
E a pele nua com a lua a resplandecer
É ver nascer o desejo com a invernia
E a harmonia que o inverno fez nascer.

A Composição de Jessier Quirino, interpretada por Xangai