Paulo Freire X Os jogos de poder

Reformulando o texto, que postei no Facebook, por um imenso carinho e por imenso respeito que tenho pela juventude.

Gostaria que, hoje, as pessoas restaurassem uma capacidade muito necessária para viver uma vida completa, “a confiança”. Ela nos foi roubada, como também possivelmente, nosso futuro o tenha sido.

Nós, os pais da juventude atual, fomos ensinados a ODIAR O VERMELHO, desde criancinhas. O vermelho era associado a COMUNISTAS. Se alguém utilizava vermelho como cor padrão conquistava para si uma associação pejorativa, se fosse mulher (vadia) e se fosse homem (comuna). Nós, crianças pequenas ainda, sabíamos que eles comiam criancinhas. Haviam inúmeras charges deles comendo criancinhas. Ninguém poderia dizer “ai”, sobre esta propaganda. Caso, eu sacudisse a cabeça negativamente ao olhar a propaganda, meu vizinho, se fosse um patriota, deveria me denunciar. No subconsciente-coletivo-brasileiro está o pavor ao vermelho na política, como representação do comunismo. Creiam que nenhum de nós quer, mas ele está lá.

A verdade é que nós os TERRÁQUEOS, hoje, SEM OS RUSSOS, seríamos TODOS branquinhos de olhos claros. Mascaramos com muita propaganda a realidade.

As pessoas comunistas daquela época queriam uma vida sem os chicotes dos folgados escravagistas donos de terra, só isso. Era muita a injustiça de homens sem escrúpulos no poder. Mas, sabe quem os mantinha no poder? Nós, o povo brasileiro!!!

Então, como fazer para as pessoas terem ideia de que a diferença, entre os chicoteados com famílias abusadas e o patrão, era o CONHECIMENTO?

Se ouvia em todas as bocas: O PATRÃO SABE O QUE FAZ e PQ FAZ! Se você foi surrado por ele, algo você fez para merecer. É verdade isso? Quem está no poder é sempre justo e faz o que faz para o nosso bem?

Paulo Freire fez esse trabalho pensando na ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS. Poucos raros que não pertenciam as famílias nobres, eram alfabetizados, possivelmente o patrão precisava de alguém assim. O resto eram imigrantes que chegavam com alguma cultura e em linguagem estrangeira. Aqui no sul por nos envolvermos com os países vizinhos de cultura espanhola, tínhamos mais alfabetizados e mesmo assim poucos. Alfabetizado, não significa pessoa que tem discernimento, e somado a isso, o acesso aos livros era muito restrito, e os livros disponíveis, antes eram enxugados pela censura. A literatura erótica sim, com liberação total, foi um período com sinal verde.

Agora, se você consegue se imaginar imerso nesse cenário, dá para ler Paulo Freire e julgar se as ideias que ele desenvolveu trazem discernimento, ou não, para uma pessoa adulta que começa a se alfabetizar.

Brinquei a algum tempo atrás no Blog, com o relato de uma pessoa muiiito culta, que descrevia sua afeição pelo livro de Trotsky, de capa vermelha, um frangalho de cultura que lhe sobrou e que só poderia ser retirado de seu lugar secreto, muito secretamente, e não deveria ser visto por ninguém, mesmo se fosse da família. Ele seria denunciado e lógico que desapareceria na madrugada, e nunca mais seria visto.

Só dá certo uma tentativa de destruir um esforço de entendimento, enquanto nós, as pessoas que aqui estamos, ainda desejarmos intensamente sermos conduzidos, sem olhar para a vida restaurando a verdadeira história, sem assumir a pilotagem dessa barcaça. A história do Brasil desde o início do Brasil, é forjada, e hoje os que estão no poder ainda entendem que: “história é aquilo que eu, em cargo de poder, determino que seja, para justificar minhas ações? ” Sem chance.

0_0 …atribuem a Paulo Freire a origem da “doutrinação marxista” nas escolas e universidades… PIRARAM? Aqui no Brasil o pessoal parece ter sofrido lavagem cerebral, mas para o mundo todo? Não cansam de passar vergonha e nos envergonhar.

“…os trechos inseridos na Wikipedia serão questionados nacional e internacionalmente pela comunidade de estudiosos da obra de Paulo Freire. Realizado a cada dois anos, o Fórum Paulo Freire que reúne estudiosos interessados em discutir a obra do autor terá sua 10ª edição neste ano em Santiago (Chile), onde Freire escreveu e publicou Pedagogia do Oprimido durante o exílio.
Proibido pelos militares durante a ditadura no Brasil (1964-1985), o livro só viria a ser publicado em território nacional em 1974.
“A gente vê inventada nesse tipo de ação a mesma lógica do golpe militar, querendo desfigurar e descaracterizar a palavra do Paulo Freire.”

Notícia do Jornal Sul 21 – 29/jun/2016, 18h42min

Artigo na Wikipedia sobre Paulo Freire é alterado a partir de rede do governo federal
Leandro Melito – Do Portal EBC

Artigo que traz a biografia do educador Paulo Freire na Wikipedia foi alterado na tarde de terça-feira (28) com informações que atribuem a ele a origem da “doutrinação marxista” nas escolas e universidades. Grupo que monitora as alterações feitas em páginas da Wikipedia identificou que as mudanças partiram de uma rede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). No verbete editado, consta que Freire participou da última grande reforma da legislação educacional que resultou em um ensino “atrasado, doutrinário e fraco”.

Em nota, o Serpro, empresa de tecnologia da informação do governo federal, disse que a alteração não partiu de suas instalações, mas de um órgão público federal que não pode ter o nome divulgado por questões contratuais. O Serpro administra a rede que provê acesso à internet tanto em instalações do próprio órgão como em instituições públicas em todo o país.

“A alteração realizada não partiu das instalações do Serpro, mas, sim, de um órgão público, cujo acesso à internet é administrado pela empresa. Entretanto, o Serpro não está autorizado, por questões contratuais, a divulgar informações de acesso de seus clientes à rede”, diz o comunicado.

Os parágrafos inseridos no artigo foram retirados de um texto publicado no site do Instituto Liberal com o título “Paulo Freire e o Assassinato do Conhecimento”. O texto é assinado por um integrante da rede Estudantes Pela Liberdade e do Movimento Universidade Livre.

As críticas aos ideais de Paulo Freire têm sido comuns nos recentes debates envolvendo o movimento “Escola sem Partido” que questiona as diretrizes curriculares e o debate político dentro das instituições de ensino, acusadas de “ideologizar” os alunos.

“Aí está uma das origens da nossa já conhecida doutrinação marxista nas escolas e universidades, que em vez de formar cidadãos e profissionais para o crescimento do país, forma soldados dispostos a defender com unhas e dentes o marxismo no meio acadêmico”, diz o trecho de um dos parágrafos inseridos no artigo.

Obra

A principal obra do educador pernambucano Paulo Freire, “Pedagogia do Oprimido” (1968), é a terceira mais citada mundialmente em trabalhos da área de humanas, segundo um levantamento realizado no Google Scholar, ferramenta de pesquisa dedicada à literatura acadêmica. O pedagogo também é referência nacional nas pesquisas da área.

Para o diretor pedagógico do Instituto Paulo Freire (IPF), Paulo Roberto Padilha, esse tipo de ação é uma tentativa de doutrinar leitores que não conhecem a história do educador.

“O que está publicado é um absurdo, uma aberração política e pedagógica, não corresponde à verdade. O que ele [Paulo Freire] queria é uma educação que libertasse a pessoa, para que se tornasse uma pessoa crítica, capaz de questionar qualquer doutrinação”, afirma.

Padilha destaca que os trechos inseridos na Wikipedia serão questionados nacional e internacionalmente pela comunidade de estudiosos da obra de Paulo Freire. Realizado a cada dois anos, o Fórum Paulo Freire que reúne estudiosos interessados em discutir a obra do autor terá sua 10ª edição neste ano em Santiago (Chile), onde Freire escreveu e publicou Pedagogia do Oprimido durante o exílio.
Proibido pelos militares durante a ditadura no Brasil (1964-1985), o livro só viria a ser publicado em território nacional em 1974.

“A gente vê inventada nesse tipo de ação a mesma lógica do golpe militar, querendo desfigurar e descaracterizar a palavra do Paulo Freire. Estaremos no Chile discutindo uma educação libertadora que não se restringe a um ou outro teórico, mas dialoga com os diferentes, contra o retrocesso”, reforçou Padilha.

Outro trecho do texto inserido no artigo da Wikipedia fala sobre a participação de Freire no processo que originou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, durante a reforma educacional feita em 1996, no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o coordenador pedagógico do instituto, a LDB, da forma como foi aprovada, não contemplou a visão de Freire. “Paulo Freire inspirou muitos educadores que tiveram papel importante na LDB, mas de última hora a lei foi desconfigurada. Ele o fez com a expectativa de uma outra perspectiva”, afirma.

Tags: Escola sem Partido, Instituto Liberal, Movimento Universidade Livre, Paulo Freire, Serpro, Wikipedia
Fonte: Sul 21

Dia Nacional do Escritor

Os escritores — uma linhagem de nobres

Em um meio, em que a ignorância não era percebida, I²,  hoje uma piada, naquela época um jeito de pedir discrição diante da surpresa, os livros eram a graça divina em minha vida.

Sei que quando se trata de sobreviver, o que não é imediato é deixado de lado. E quando a sobrevivência dura um tempo interminável, o hábito leva para a distância, aquilo que deveria ser essencial. Cultura é essencial! O custo de não te-la é a escravidão.

Havia perfeccionismo em meu mundo e portanto quase nenhum tempo disponível para adquirir cultura. Lembro que tive que aprender a ser eficaz em um mundo que pedia eficiência, eu tinha “sede de saber”.

Tentei descobrir o funcionamento das coisas e ganhar tempo para ler. Onde não havia silêncio, aprendi a mergulhar na leitura e assim não me distrair.

Aos livros… aos escritores, meus mestres nessa vida, às pessoas que detiveram suas vidas para registrar conteúdos e envia-los aos que estavam distantes, com cuidado, com carinho de quem quer que o ouvinte esteja junto e não perca nada do que tem a contar — Vocês são a luz da minha vida, junto com as pessoas que me contam suas histórias!

Amo a escrita! Amo os escritores! Pretendo imita-los.

Tolkien — Ents e entesposas

As diferenças entre feminino e masculino são cantadas por Barbárvore, claro… não na linguagem dos ents, para que Merry e Pippin entendessem por que não haviam mais “entinhos”.

A delicadesa desta canção é comovente. Eu e o professor Alex tentamos passar essa impressão no  Nosso Sarau , na ACF – Porto Alegre/RS, neste sábado.
Para quem não conhece a obra, as “entesposas” são as árvores frutíferas e os “ents” as árvores sem frutos. Ocorre que as árvores frutíferas, segundo Tolkien, preferem os vales, as pradarias… o condado… locais habitados. Enquanto os ents preferem florestas densas e úmidas, que intimidam a humanidade a percorre-las.

Canção élfica sobre os Ents e as Entesposas

Ent:
Se a Primavera enfolha a faia e a seiva os galhos banha,
Se a luz se espelha no regato e há vento na montanha,
Se o passo é largo, duro o esforço e frio corta o ar
Volta pra mim! Volta pra mim! Diz que é belo este lugar!

Entesposa:
Se a Primavera ao campo chega e o trigo está na espiga,
Se branca a flor qual neve brilha e no pomar se abriga,
Se em chuva e sol por sobre a terra perfume há no ar,
Eu fico aqui, não volto não, é belo o meu lugar.

Ent:
Se for Verão por sobre a terra e à tarde a luz dourada
Mil sonhos verdes derramar nas folhas enlaçadas;
Se verde e fresco for o bosque e o vento for bem-vindo,
Volta pra mim! Volta pra mim! Diz que aqui tudo é mais lindo!

Entesposa:
Se for Verão e no calor a fruta escurecer,
Se a palha é seca, e a espiga branca na hora de colher;
Se pinga o mel, cresce a maçã ao vento que é bem-vindo,
Eu fico aqui, à luz do sol, pois isso é bem mais lindo!

Ent:
Se for Inverno, o duro Inverno que mata e campo Cinvade,
Se a noite escura o dia sem sol devora sem piedade,
Se o Vento Leste for mortal, então na chuva fria
Vou procurar-te, vou chamar-te, eu volto nesse dia.

Entesposa:
Se for Inverno sem canções, se a treva enfim vier,
Quebrando já o inútil galho, se a luz já não houver,
Vou procurar-te e esperar-te, até seguir um dia
Comigo pela estrada afora sob a chuva fria!

Ambos:

E juntos para o oeste vamos nos encaminhar
E longe, longe encontraremos onde descansar.
O Senhor dos Anéis, pp. 499-500.

Corpo e mente

A mente exerce influência sobre o corpo? — Sim, no século XIX. No século XXI o corpo influencia a mente.

É o que relata a psicanalista Susie Orbach, em seu último trabalho “Bodies” de 2009. Ainda chama a atenção para as sutis abordagens da mídia em sua forma de solicitar “reflexão” sobre certos assuntos. Diz que a propaganda surpreende, e não poucas vezes, asco é a sensação imediata, passando, em um segundo olhar à necessidade de talvez “se atualizar”, repaginar, sem que a pessoa se perceba manipulada.

Leia mais sobre sobre seus estudos: http://www.silviarocha.com.br/susie-orbach-no-brasil/

A obsessão pelo culto ao corpo
O desejo pelo corpo bonito criou uma nova doença moderna: a insegurança emocional por causa da insatisfação com a própria aparência. Este é o tema do estudo da psicanalista Susie Orbach.

Mulheres Reais

As leitoras da Revista Brigitte, alemã, deixaram de comprar a revista e a alegação: Não ter nada em comum com as mulheres retratadas e não queriam mais ver “ossos salientes”.

O editor-chefe da revista, Andreas Lebert, declarou que a partir de 2010 a revista não mais publicará fotos de “modelos zero”. Em uma tentativa de combater os padrões de beleza irreais da sociedade atual, a publicação alemã somente usará mulheres com silhuetas mais, digamos, “normais”.

Fonte: ClicRBS – Revista Donna

Vida líquida

Os surralistas captaram lá no passado imagens do que hoje é a nossa vida . Uma vida que se liquefaz. As consistências se perdem e quase tudo lembra os relógios de Dali.

Vida liquidaSegundo Bauman, “trata-se de viver na indiferença, no desprendimento, e, por isso mesmo, tal existência se torna repleta de preocupações com relação a mudanças e términos, muitas vezes mais doloridos do que se pretendia. Ao lado do efêmero vem o medo de ficar para trás, de não acompanhar a fluidez e a velocidade dos eventos e produtos, de se tornar dispensável, dejeto, lixo-humano – de se tornar ninguém.”

Lembra uma sensação de terror que senti ao ler A Fall of Moondust*, de Arthur Clarke, uma premonição (na falta de palavra com sentido mais adequado) de estar vivendo em um mundo sem as ferramentas adequadas, contando apenas com a inteligência e uma capacidade absurda de adaptação.

O capítulo 6 de Vída Líquida – Aprendendo a andar sobre a areia movediça, me reportou a essa lembrança. Há um certo conforto em ter a vida um pouco mais longa, ser mais experiente, o que não diminui o estresse da sensação de estar vivendo com um pé em cada dimensão, uma visível e outra pressentida através de expectativas, de leituras, imagens.

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*CLARKE, Artur C.; Os náufragos de selene; tradução: Jorge Luiz Calife – Rio de janeiro : Nova Fronteira, 1984.
O livro fala dos esforços para o resgate da nave Selene, que naufragou em um mar de poeira cósmica no momento em que ocorre um terremoto lunar.

Homenagem a um sonhador e seus sonhos realizáveis

O termo poesia, como se compreende hoje, refere-se a “poesia lírica A expressão “lírica” é utilizada aos poemas que buscam uma síntese expressiva, efeitos sugestivos de musicalidade, A Liraregularidade rítmica, antigamente, apresentados com o acompanhamento de um instrumento musical, no geral, a lira. Hoje lemos ou ouvimos versos e imaginamos música e imagem, talvez, por conter em cada poeta algo eterno, que viaja a um tempo onde literalmente existia de fato o termo “Eu e minha amada”; onde abrir a alma não nos envergonhava; onde não temíamos os grandes espaços, aliás, precisávamos deles, para o que compreendíamos como um lugar para viver.

O Poeta do povo e da mocidade faria 94 anos hoje se estivesse vivo Continue lendo