Prioridades

Li um artigo ótimo sobre panelas e nós as mulheres, claro que amei o post. Ele desperta sentidos e lembranças do que vivencio e compartilho com minhas irmãs-de-tempo-de-vida. panela-coracao-le-creuset

A energia da mulher maravilha sumiu
Ser determinada e optar em realizar apenas na área em que se é mais eficaz; dar-se o direito de aproveitar parte desse tempo para o que der prazer… (Prazer, ou nesse caso, o que esperam que uma pessoa que já passou dos seus trinta anos pode obter.) O mais complicado é a perda financeira, e a “quase” certeza de que não haverá renda alternativa, já que a sociedade nos avalia só como consumidoras.

Não ter auxiliares para o que não se pode mais fazer, junto e talvez pior, nos papos carregados de sentimentos, é o movimento familiar migrar para outros espaços depois de uma proximidade íntima e extrema. E ainda, ter todo o espaço/tempo do mundo em um momento que já não se conta com essa possibilidade.

O que se consegue realizar para conquistar carinho e proximidade
Prepare-se para enfrentar o juiz mais severo do mundo: você. Ou seja, as senhoras de idade perfeccionistas. A perfeição de antigamente é considerada mais um conceito obsoleto na atualidade, uma exigência excessiva e classificada como perfeccionismo. Ninguém espera ser surpreendido, mas cada uma de nós gostaria de ver o brilho de admiração no olhar de quem amamos.

Eu tenho muitos planos que foram empurrados para quando houvesse tempo e para mim é chegado o precioso tempo. Mas, observo que o link com o presente se distancia das mulheres mais antigas e é acompanhado da pergunta: Por que ainda estou aqui e o que me compete?

Arrisco dizer que compete, me parece, um aprendizado em aprofundar-se nas áreas em que fomos rasas, quando dedicadas exclusivamente a promover e incentivar a integração de nossa família na convivência social. Compete aprendizados que passaram ao largo de nossas existências. E, quem sabe, preparar uma estrutura base, para os próximos que chegarão onde estamos. “O que gostaríamos de ter encontrado pronto para esse momento? Onde em outras culturas há essa preparação para o contato consigo? Podemos inventar novas tradições?” São as perguntas que dançam em minha mente.

Não sou, no alto de todas as idades, prioridade para ninguém,
inclusive para mim, o que é uma lástima.

Superar a transição desse despojamento social quanto a valores e carinho, despojar-se de todas as supostas obrigações/imposições que estavam sobre os ombros e colocar-se como prioridade, parece uma tarefa gigantesca e tra-ba-lho-sa. Parece tão assustadora que facilmente pode ser emocionalmente tomada como uma das maiores injustiças sociais. Ter que achar uma “ocupação”, achar como “se divertir” e parar de importunar a vida dos outros (a maior motivação emprestada à tarefa). Então, percebo que o que menos motiva é estar destituída de plateia. A plateia possivelmente punitiva, provocativa e utilitarista. Mas era conhecida, sabíamos o que esperar. Agora no alto da idade à beira do abismo… só o desconhecimento total. É o momento em que a sociedade me obriga, aliás incentiva, ao despojamento de tudo o que era considerado valor agregado, palco seguro às vezes, e muitas regado a “ovos e tomates”.

Nossos jovens, orgulho de nossas existências, estão lutando por suas vidas. Isso é real. Eles abriram mão de nosso auxílio, querem ser eles mesmos, como nós, às vezes bem antes da idade deles. Nós, aqueles que não permitimos aos pais e aos sogros interferir. Se não queríamos nossas mães e pais, sogros e sogras, dando-pitacos em nossos lares, agora somos mães/pais/sogros/sogras.

Do alto de nossas vidas, eu e minhas amigas percebemos: não teremos o descanso de uma cadeira de balanço, os cuidados com nossos tricôs, atendidas por neta ou neto ao comando de sua mãe que também estaria a nossa disposição e nem sei se queremos.

Do que sei, não terei o que é conhecido, e aos 60 anos sei que aqueles que estão aos 70 receberam uma previsão de vida de até mais 20 anos, aproximadamente. o.O – Como conduzir a minha vida?

Está claro o motivo da desorientação
Não é possível, para mim, procurar o que me “distraia” e deixar a vida me surpreender diariamente. E é sombria uma vida cuja agenda em sua maior parte é consultas médicas. O que posso fazer com os próximos 20 ou 30 anos? É um planejamento de longo prazo e, para não perder a perspectiva, é bom que eu comece a fazê-lo.

Links que estimulam o debate
A utopia da melhor idadeLeandro Karnal

Velhice para que te queroJorge Forbes

Estamos preparados individualmente e socialmente para a velhice? – Alexandre Kalache

Anúncios

Vertentes em Alto Paraíso (GO)

Anna e o Beijo Francês

… É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar. …

Etienne st clair Blog myotherbagischanel

Mesmo os jovens, se movem como tartarugas fora do mar, quando o assunto é novas experiências. Quem não sabe de histórias, em que os pais fazem do ambiente escolar, uma tentativa de imersão dos filhos em uma realidade, distante do conforto aconchegante e familiar.

Anna conta sua viagem de estudos, contrariada a princípio, pois estaria distante de tudo o que havia programado viver no último ano, antes da iniciar a faculdade. Fala constantemente que seu pai se tornou alguém com poucos escrúpulos, e os motivos? — Ter uma melhor situação financeira. Encontra colegas cujos pais também optaram por se deixar levar pelo sistema ou vaidade estando também na condição de bem sucedidos, o que permite aos filhos frequentarem uma escola privilegiada. Mas, Anna não se sente assim.

O distanciamento de sua condição natural, no entanto, a faz desabrochar, como se consegue só onde se é bem acolhida. Novos e bons amigos.

É possível que lar seja uma pessoa e não um lugar – Se a leitura não fosse cativante essa constatação valeria o livro inteiro.
Impressiona que em um mar de emoções e hormônios pra todo lado, algumas reflexões surgem como um lampejo, ao mesmo tempo transmutador e terno. A partir desse momento nossa compreensão se alarga e nunca mais volta a ser como antes. Amei. Anna teve momentos que podemos chamar de férias do cotidiano e… nossa! Seria ótimo se fosse em Paris, e foi.

Link para o livro: http://www.livrariacultura.com.br/p/anna-e-o-beijo-frances-22592802

O Som do Silêncio

Olá escuridão, minha velha amiga

Vim conversar com você de novo
Porque uma visão um pouco arrepiante
Deixou sementes enquanto eu dormia
E a visão que foi plantada em meu cérebro
Ainda permanece dentro do som do silêncio

Em sonhos agitados eu caminhei só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a luz das lampadas da rua
Levantei minha lapela

para me proteger do frio e umidade

Quando meus olhos foram apunhalados
Pelo brilho de uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio

E na luz nua eu vi
Dez mil pessoas, talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas ouvindo sem escutar

Pessoas escrevendo canções
Que vozes jamais compartilharam
E ninguém ousava
Perturbar o som do silêncio

“Tolos” eu disse, “vocês não sabem
Silêncio é como um câncer que cresce
Ouçam as palavras que eu possa lhes ensinar
Tomem os braços que eu possa lhes estender”
Mas minhas palavras caíam como gotas silenciosas de chuva
E ecoavam no poço do silêncio

E as pessoas curvavam-se e rezavam
Ao Deus de néon que elas criaram
E a placa faiscou o seu aviso
Nas palavras que formava

E a placa dizia,
“As palavras dos profetas
Estão escritas nas paredes do metrô
E nos corredores das casas”
E sussurravam no som do silêncio

Fonte: Simon and Garfunkel – The sound of silence

Feliz Natal!

Secret Garden 932_n

Guerra e paz em nós

Quando há vergonha em nós, ela se aproxima muito do ódio mortal, pois um desprezo que gela ao zero absoluto, também mata
Diferente da vergonha que nos deixa quentes, vermelhos até evaporar por nossos poros. Daquela que trazemos à consciência e através dela nos desculpamos e a transformamos em palavras de pesar todos os nossos enganos. Momento em que, diante ao outro, conseguimos descer ao tamanho de nossa ignorância e olhar dali, a justa medida, em que estava nossa consciência, comparada com a nossa arrogância.

À medida em que o filme, de como chegamos a esse engano, passa por nós, velozmente, percebemos que os incentivos locais criaram uma espécie de corredor polonês, no qual se determinou (aparentemente) o único caminho a seguir, para supostamente “nos salvar”. Salvar o quê? Salvar do que? Esse é o momento máximo para o teste da arrogância. Seria eu capaz de, continuar no chão simbólico, até que minha consciência se expanda o suficiente e acompanhe toda a infiltração dessas supostas verdades e único caminho?

guerra-e-paz-candido-portinari

CÂNDIDO PORTINARI, Guerra e Paz, 1952 – 1956 Óleo madeira compensada – Sede das Nações Unidas – Nova York – EUA

A coroa de advento

[…] A Coroa de Advento não é antiga. Ela foi concebida em Hamburgo, há mais de cem anos. Havia muitas crianças órfãs naquela cidade portuária. Meninas e meninos sem teto que perambulavam pelas ruas pedindo esmolas. Conhecemos este “filme”.

Coroa de advento 42d_z

As coisas não precisam ser sempre assim. Um pastor evangélico luterano morava naquela cidade. Seu coração pulsava por aquelas meninas e por aqueles meninos “sem eira nem beira”. Mexe daqui, puxa dali, ele construiu uma enorme casa onde passou a abrigar o máximo possível de crianças de rua. Naquela casa o povo miúdo tinha espaço para dormir e fazer suas refeições. Mais do que isso: tinha a chance de aprender uma profissão. Muitos saíram dali formados como sapateiros, desenhistas, costureiras e até jardineiros. A ideia era que, assim, não precisariam mais perambular pelas ruas pedindo esmolas, uma vez que juntavam seus próprios dinheiros a partir do suor do seu rosto.

Foi assim que, em 1833, nasceu a “Rauhes Haus” (Casa Rústica). O pastor visionário chamava-se Johann Heinrich Wichern (*1808+1881). Todo ano ele celebrava o tempo de Advento com meditações, cânticos e reflexões que enfocavam este tempo bonito que antecede o Natal. Para contextualizar aqueles momentos o pastor Wichern pendurou uma roda velha, dessas que ainda hoje se vê em carroças, no teto na “Casa” que dirigia. No primeiro domingo de Advento colocou a primeira grande vela a queimar sobre a roda. Depois, nos seis dias seguintes, seis velas pequenas. Daí, no segundo domingo de Advento, novamente a segunda vela grande… Um dia antes do Natal queimavam 24 velas referida roda.

Corria o ano de 1840. As meninas e os meninos que moravam na referida casa gostavam muito daqueles encontros. A roda ia iluminando mais e mais a sala, a medida que o Natal se aproximava. Cada vela tinha o seu significado. Foram eles, as meninas e os meninos, que “batizaram” aquele tempo de “Meditação das Velas”. Passaram-se dois anos e aquela pequena Comunidade decidiu enfeitar a roda iluminada com ramos de pinheiro (sinal de vida). Foi assim que nasceu a primeira Coroa de Advento dentro da Igreja Luterana.

Muitas pessoas que visitavam a “Rauhes Haus” achavam aquele símbolo muito significativo. Como nas suas moradias particulares não havia muito espaço para uma Coroa de Advento com 24 velas, optaram por uma menor com quatro, uma para cada domingo. Viva o Advento, esse tempo no qual nos preparamos para receber a visita que vem: Jesus Cristo!

A coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos:

A forma circular – O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim, e também do nosso amor a Deus e ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma ideia de “elo”, de união entre Deus e as pessoas, como uma grande “Aliança”.

As ramas verdes – Verde é a cor da esperança e da vida. Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa vida. Bênçãos que nos foram derramadas pelo Senhor Jesus, em sua primeira vinda entre nós, e que agora, com esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na sua segunda e definitiva volta. O ramos dos pinheiros permanecem verdes apesar dos rigorosos invernos, assim como os cristãos devem manter fé e a esperança apesar das tribulações da vida.

A fita vermelha – A fita e o laço vermelho que envolvem a grinalda simbolizam o Amor de Deus ou o próprio Espírito Santo a embalar toda criação que é remida com a chegada de Jesus.

As bolas – As bolas simbolizam os frutos do Espírito Santo que brotam no coração de cada cristão.

As quatro velas – As quatro velas da coroa simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No início, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho. Nos recorda a experiência de escuridão do pecado. A medida em que se vai aproximando o Natal, vamos ao passo das semanas do Advento, acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada, em meio de nós, do Senhor Jesus, luz do mundo, quem dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada. A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva. A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida. A terceira lembra a alegria do rei Davi que recebeu de Deus a promessa de uma aliança eterna. A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do Salvador.

Fontes: Texto: Wikipédia – P. Renato Luiz Becker Par. São Mateus – Joinville – SC   — Foto: do site http://www.olhares.pro.br/