Em pensamentos, palavras e obras

O observador theater_panels

Depois de meses transmutando, examinando detidamente as sensações, sentimentos e emoções, este é o instante em que me sinto limpa. Com sensações, sentimentos e emoções só minhas.

Ser uma pessoa empática na ativa (por mais responsável e treinada que eu seja) me traz transtornos. Não é uma sensibilidade que se deva ligar e desligar com os horários terrenos, apesar de muita gente fazê-lo e aconselhar que se faça. Um auxílio fraterno não pode ser avaliado em minutos ou segundos, resolvido em instantes ou adequado a nossa agenda ordinária. Tudo ou todos tem um tempo próprio.

Funciona do mesmo jeito que o setor de apoio já tão conhecido no meio corporativo. As pessoas vão para casa após o horário comprometido e o setor de apoio se encarrega de que a energia se mantenha para a conservação do todo, na ordem possível, até que no amanhã os responsáveis assumam seus afazeres novamente.

Ser uma pessoa empática me compromete com pensamentos, palavras e obras gerados a partir da relação com aqueles que encontro em meu caminho. Considero esse compromisso de uma rara beleza. Uma oportunidade de olhar por dentro (como estar em uma apresentação IMAX) nossas teorias e como elas funcionam em cada passo de nossas vidas; o que gero de impacto em minha relação com o outro; o que o outro gera a partir de sua relação comigo; e o impacto sobre a aura dos que estão ao redor. Há ênfase nos sentimentos gerados em uma condição empática. Não posso impedir alguém de sentir, mas o que esse alguém faz, com aquilo que sente, gera ao seu redor, às vezes, sofrimentos inomináveis, no âmbito dos compromissos assumidos em parceria.

O privilégio da empatia é para mim um auxílio para atitudes nas áreas delicadas da moral e da ética. Para o empático pouco se oculta. Quem sabe, a geração que trouxe ênfase nessa prática, comece a perceber quanta nobreza gera observar com essa capacidade de imersão, utilizada em toda a sua extensão. É possível que se torne impossível ferir alguém.