Desejo aos meninos filhos

Eu te desejo vida, longa vida
Te desejo a sorte de tudo que é bom
De toda alegria, ter a companhia
Colorindo a estrada em seu mais belo tom

Eu te desejo a chuva na varanda
Olhando a roseira pra desabrochar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar
E dias de sol pra fazer os teus planos
Nas coisas mais simples que se imaginar

Eu te desejo a paz de uma andorinha
No voo perfeito contemplando o mar
E que a fé movedora de qualquer montanha
Te renove sempre e te faça sonhar

Mas se vier as horas de melancolia
Que a lua tão meiga venha te afagar
E que a mais doce estrela seja tua guia
Como mãe singela a te orientar

Eu te desejo mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Eu te desejo muito mais que mil amigos
A poesia que todo poeta esperou
Coração de menino cheio de esperança
Voz de pai amigo e olhar de avô

Cantora e Compositora: Flavia Wenceslau – Te desejo Vida – Link: http://www.vagalume.com.br/flavia-wenceslau/desejo.html

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A Indignação

Escrito por Bert Hellinger   
Quando nos tornamos indignados sobre uma situação qualquer, parece que estamos do lado do bem e contra o mal, do lado da justiça e contra a injustiça. Parecemos então ser aquele que intervém entre o agressor e sua vítima de modo a impedir um mal maior. Contudo, pode-se também intervir entre eles com amor, e isso seria, com certeza, melhor.

Assim, o que o indignado quer? O que ele realmente obtém? O indignado se comporta como se ele próprio fosse uma vítima, embora não seja. Ele assume o direito de exigir uma reparação do agressor embora nenhuma injustiça tenha sido feita pessoalmente a ele. Ele assume a tarefa de advogado das vítimas, como se elas tivessem dado a ele o direito de representá-las; e fazendo assim, deixa as verdadeiras vítimas sem direitos.

E o que faz o indignado com esta pretensão? Ele toma a liberdade de fazer coisas más aos agressores sem medo de qualquer consequência ruim para sua própria pessoa; pois suas más ações parecem estar a serviço do bem, e assim elas não temem qualquer punição. De modo a manter sua indignação justificada, tal pessoa dramatiza tanto a injustiça sofrida pelas vítimas quanto as consequências das ações da parte culpada. Ela intimida as vítimas a verem a injustiça pelo mesmo modo com ela mesma vê. De outro modo, caso as vítimas não concordem, tornam-se suspeitas e alvo de uma indignação justificada, como se elas mesmas fossem agressores.

Da perspectiva da indignação é difícil para as vítimas deixar seu sofrimento ir embora, e é difícil para os agressores deixarem sua culpa ir embora. Se às vítimas e aos agressores for permitido encontrar uma resolução e uma reconciliação por seus próprios meios, elas podem se permitir, uma a outra, um novo começo. Mas se a indignação entra em cena, tal resolução é muito mais difícil, pois o indignado, geralmente, não fica satisfeito até que o agressor tenha sido completamente destruído e humilhado, mesmo que isto, ao ser feito, intensifique o sofrimento das vítimas.

A indignação é em primeiro lugar uma questão de moralidade. Isto quer dizer que o indignado não está realmente preocupado em ajudar outra pessoa, mas comprometido com uma certa demanda para a qual ele se proclama o executor.

Deste modo, ao contrário de alguém que ama, tal pessoa não conhece nem contenção, nem compaixão.

“Nós estamos liberados do mal quando podemos, serenamente, deixá-lo ir.” Bert Hellinger

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“No final das contas, é sempre entre você e Deus”  Madre Tereza de Calcutá

Fonte: Instituto Hellinger (Caso esse texto lhe seja útil de alguma forma e você queira utilizá-lo, para nós é uma honra servi-lo. Só lhe pedimos, por gentileza, que cite a fonte. *Instituto Hellinger)

Prioridades

Li um artigo ótimo sobre panelas e nós as mulheres, claro que amei o post. Ele desperta sentidos e lembranças do que vivencio e compartilho com minhas irmãs-de-tempo-de-vida. panela-coracao-le-creuset

A energia da mulher maravilha sumiu
Ser determinada e optar em realizar apenas na área em que se é mais eficaz; dar-se o direito de aproveitar parte desse tempo para o que der prazer… (Prazer, ou nesse caso, o que esperam que uma pessoa que já passou dos seus trinta anos pode obter.) O mais complicado é a perda financeira, e a “quase” certeza de que não haverá renda alternativa, já que a sociedade nos avalia só como consumidoras.

Não ter auxiliares para o que não se pode mais fazer, junto e talvez pior, nos papos carregados de sentimentos, é o movimento familiar migrar para outros espaços depois de uma proximidade íntima e extrema. E ainda, ter todo o espaço/tempo do mundo em um momento que já não se conta com essa possibilidade.

O que se consegue realizar para conquistar carinho e proximidade
Prepare-se para enfrentar o juiz mais severo do mundo: você. Ou seja, as senhoras de idade perfeccionistas. A perfeição de antigamente é considerada mais um conceito obsoleto na atualidade, uma exigência excessiva e classificada como perfeccionismo. Ninguém espera ser surpreendido, mas cada uma de nós gostaria de ver o brilho de admiração no olhar de quem amamos.

Eu tenho muitos planos que foram empurrados para quando houvesse tempo e para mim é chegado o precioso tempo. Mas, observo que o link com o presente se distancia das mulheres mais antigas e é acompanhado da pergunta: Por que ainda estou aqui e o que me compete?

Arrisco dizer que compete, me parece, um aprendizado em aprofundar-se nas áreas em que fomos rasas, quando dedicadas exclusivamente a promover e incentivar a integração de nossa família na convivência social. Compete aprendizados que passaram ao largo de nossas existências. E, quem sabe, preparar uma estrutura base, para os próximos que chegarão onde estamos. “O que gostaríamos de ter encontrado pronto para esse momento? Onde em outras culturas há essa preparação para o contato consigo? Podemos inventar novas tradições?” São as perguntas que dançam em minha mente.

Não sou, no alto de todas as idades, prioridade para ninguém,
inclusive para mim, o que é uma lástima.

Superar a transição desse despojamento social quanto a valores e carinho, despojar-se de todas as supostas obrigações/imposições que estavam sobre os ombros e colocar-se como prioridade, parece uma tarefa gigantesca e tra-ba-lho-sa. Parece tão assustadora que facilmente pode ser emocionalmente tomada como uma das maiores injustiças sociais. Ter que achar uma “ocupação”, achar como “se divertir” e parar de importunar a vida dos outros (a maior motivação emprestada à tarefa). Então, percebo que o que menos motiva é estar destituída de plateia. A plateia possivelmente punitiva, provocativa e utilitarista. Mas era conhecida, sabíamos o que esperar. Agora no alto da idade à beira do abismo… só o desconhecimento total. É o momento em que a sociedade me obriga, aliás incentiva, ao despojamento de tudo o que era considerado valor agregado, palco seguro às vezes, e muitas regado a “ovos e tomates”.

Nossos jovens, orgulho de nossas existências, estão lutando por suas vidas. Isso é real. Eles abriram mão de nosso auxílio, querem ser eles mesmos, como nós, às vezes bem antes da idade deles. Nós, aqueles que não permitimos aos pais e aos sogros interferir. Se não queríamos nossas mães e pais, sogros e sogras, dando-pitacos em nossos lares, agora somos mães/pais/sogros/sogras.

Do alto de nossas vidas, eu e minhas amigas percebemos: não teremos o descanso de uma cadeira de balanço, os cuidados com nossos tricôs, atendidas por neta ou neto ao comando de sua mãe que também estaria a nossa disposição e nem sei se queremos.

Do que sei, não terei o que é conhecido, e aos 60 anos sei que aqueles que estão aos 70 receberam uma previsão de vida de até mais 20 anos, aproximadamente. o.O – Como conduzir a minha vida?

Está claro o motivo da desorientação
Não é possível, para mim, procurar o que me “distraia” e deixar a vida me surpreender diariamente. E é sombria uma vida cuja agenda em sua maior parte é consultas médicas. O que posso fazer com os próximos 20 ou 30 anos? É um planejamento de longo prazo e, para não perder a perspectiva, é bom que eu comece a fazê-lo.

Links que estimulam o debate
A utopia da melhor idadeLeandro Karnal

Velhice para que te queroJorge Forbes

Estamos preparados individualmente e socialmente para a velhice? – Alexandre Kalache

De frente — não de costas

Balançando o 2010 para olhar 2011 de frente
Lembro de estar dando adeusinho para 2009 — um ano em que quase morro em mãos inconsequentes — cheia de esperanças em um 2010 em que só coisas boas iriam acontecer, “com certeza”.

Começou bem mesmo. Marido com emprego novo e bom depois de muitos anos de penúria. Meu trabalho, como sempre, estimulante e criativo. Começou bem! Filho entrando no quartel, escolha dele — o caminho do guerreiro. O outro com lindos planos de autonomia. Bem, bem… Deus olhou para mim este ano, foi o que pensei. Ideias mil, para um ano encantador e criativo, foi o que determinei para 2010.

Deu certo! A criatividade entrou em todos os níveis da minha vida. Criar vida nova, em um ano novo, é inspirador, mas… é preciso aceitar também que o poder de Marte abrindo caminho para Vênus é “quase um apocalipse”.

Então… o que sobrou de toda a expectativa, foi criatividade, um garoto que não quer ser só guerreiro quer outras experiências também e outro que já escolhe para onde quer se dirigir. Uma mãe feliz.

Do mergulho que dei, nas minhas necessidades de renovação, neste power-2010, resultou em alguns encontros valiosos para compartilhar.

Bert Hellinger, foi um belo encontro. É um teólogo, filósofo e psicoterapeuta, criador de uma nova abordagem de psicoterapia sistêmica. Conceitos como: consciência, indignação, e transmissão de responsabilidade aos descendentes, são revistos resultando em calma e clareza.

O sofrimento decorrente da absorção de um “conceito irreal” consome a paz interior e incapacita a pessoa para a felicidade. Um exemplo:

Uma mãe ou pai deixa sob a responsabilidade de um dos filhos os cuidados com os irmãos menores por toda a sua infância e adolescência, transferindo sua obrigação a esta criança. Mais tarde esta criança, já adulta, possivelmente terá desenvolvido a expectativa de ser cuidada ou tratada de forma especial por aqueles a quem dedicou anos de sua vida. No entanto, esses irmãos não se sentirão responsáveis, pois não a viam como um substituto de pai ou mãe. Possivelmente,  com a mãe e o pai presentes, o registro desta representação foi de alguém que os pais determinaram com a obrigação de servi-los. Cobrar desses descendentes gratidão ou respostas coerentes com esta injustiça vivida, é transferir a eles uma responsabilidade que não lhes cabe.

Esse entendimento, quando consciente, libera a pessoa. Primeiro, de se sentir responsável pelos irmãos até o fim de sua vida; segundo, dos sentimentos de mágoa com a suposta ingratidão de seus irmãos que não a reverenciam. Assim, com o conceito agora real, ficará livre para escolhas pessoais e não transmitidas.

Estive ausente no blog, quase todo o ano de 2010, ano power, de muitas mudanças, muito sofrimento e de muito aprendizado.